Arquivo dos sonhos

Quem disse que meu arquivo de pastas suspensas não movem sonhos?

Amigo, tenho um legado de boas histórias para te contar. Desde o primeiro dia que entrei por essa porta analiso todas as manias de meus sublimes colegas de horário ponto. Vejo que sou o mais metódico organizado pensador. Porque estaria eu no meio de inúmeras divisórias com uma caixa de papelão na mão e uma flecha entre os olhos, onde ninguém mira para o lado para pedir um mísero grampeador emprestado? As pessoas estão tão compenetradas por um ar de sonhos que mais parecem reféns de um recreio de escrita. Meu espírito (com seu pensamento e sua percepção) está para o corpo assim como este rabisco que acaba de se manifestar para a alma. Assim sigo imaginando se seria tudo aquilo que do espírito parece incomparável, mas realmente não é assim, continua sendo do jeito que o chefe lá de cima dita as regras. Minha dualidade e de meu colega de mesa seria uma falsa dualidade, seguindo o pensamento de nosso superior. Somente a mente pareceria diferente porque apresenta-se quase inerte agora, já que é reflexiva, por sinal, quase mensurável; enquanto minhas idéias aparecem aos outros como ativo da tendência imutável e simples. Enquanto o espírito seria o ativo do contexto de minha entrada pela porta da frente, a mente seria ângulo potencial da mais bela obra da arte desta parede de sonhos, aquilo que o pensamento tem de ponderável, como um pensamento que se adensa ou se aprofunda em um assunto em plena Cidade Baixa, talvez o subjetivo do pensamento. Aquele que cala para não ser o sábio da vez. A obra de arte seria ao sentido como um imponderável seria imensurável ao olhar de todos os meus colegas culminando aquela obra de arte.

Existe uma relação entre a mente e meu eu, na medida em que se apresenta uma relação entre o que penso, sinto, acredito e faço, assim como também existe uma relação entre o nosso relacionamento, as condições em que nos encontramos neste escritório dos sonhos e o que aflora nos nossos olhares. A tendência refere-se assim a algo inovador e subjetivo aos seres humanos. Os nossos intelectos sonhos, nossas obras de arte, nossos desejos, nossos temores e sentimentos são coisas que não se pode ver, mas que de fato existem. Assim, chego à conclusão que existe um forte elo entre o que cada colega de mesa é, e como compreende e se comporta a cada momento em que olha para aquela obra de arte na parede de sonhos.

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