
*Não, a luz só é possível por ser sensível ao olho humano.
Sua representação indica onde o feixe começa e a respectiva direção do fim, nem sempre alcançável. A luz transita eminentemente pelas mais infinitas perspectivas. E, mesmo assim passa despercebida inúmeras vezes. O fetiche está na produção da luminescência que supera a incandescência. Lâmpadas planas formadas por um sanduíche de duas folhas de alumínio separadas por uma finíssima camada isolante de óxido de alumínio cheias de gás. A lâmpada fluorescente é propriedade de uma emanação de cor, vermelha, azul, verde... Produz sensações, reduz seu campo de sentido a um grau quase zero e isola o significante à solidão absoluta. Nada pop. De vitrine chique em plena Oscar Freire. Nem sempre. O ascético minimalismo dos feixes piscantes de luz néon rende-se a história, ao tributo, ao encontro da Razão com a Arte, mais que isso, sublinha um minuto no qual a arte não aspirava estar só, mas cumprindo uma utópica função de encontro com nossos olhos e suas urgências revolucionárias de malucos perambulantes em suas grandes metrópoles. Fascinantes módulos fluorescentes em sua rigidez infernal ecoam como depósitos de plasma correndo em paralelo com a submissão flácida do neon, tão sutil e tão avesso à resistência. É uma hierarquia luminescente que não se imprime, mas literalmente se exprime radiante quando forma as palavras no ambiente extravagante, num plano sem cautela, em uma superfície incondicional solicitada pela energia elétrica que corre em suas extremidades. Agora flutua. Bombardeia pontos positivos de radiação U.V. É uma morada de luz no ar dos excêntricos. Inverte-se o processo do trabalho e virtua a inocência do pálido branco. Não temo o significante irradiante em busca do significado, nem a imagem que irradia em busca da palavra que não se escreve, mas se inscreve, se esculpe como luz visível em núcleos finitos. Nem sempre temos o plano da palavra, mas o volume fantasmagórico de uma intensidade de corrente elétrica, cercada de poder. Cilada moderna de um espaço que chama atenção por sua vertiginosa luminosidade. Usufrua como na canção, não tem apego, nem tem sabor, não tem afago. Ninguém mirando nela irá suplicar o escuro, pois nos causa sensações magníficas de esplendor. Forte, nos penetra, e quanto mais olhamos mais a incorporamos, mais pensamos: quantos circuitos nos alcançam como alvo nesse momento? É coisa delicada, mas ao mesmo tempo impactante logo que encontramos sua eminência. Por isso guardo um pedaço dessa luz mesmo, como se fosse um espelho perfeito desse ser fluorescente e sua respectiva, no que acredito ser, TENDÊNCIA.
Um comentário:
Hahahaha...muito bom!
(O que tu usou para escrever isso hehehe?!)
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